Capitão Solidão Podcast

"Todos a Bordo!..."

David Arroz Season 1 Episode 1

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0:00 | 16:06

Episódio 0001  - “Todos a Bordo!” [Teste] • Uma pequena e invulgar introdução a este universo tão peculiar. Falou-se um pouco dos Boca Doce (banda de versões em formato punk/rock); do ato criativo e da escolha do tema de abertura e fecho de todos os episódios. Um agradecimento especial ao Ricardo Barriga por ter permitido esta maravilhosa loucura…

Podcast mensal, conduzido por David Arroz e gravado no interior de um velho e enigmático farol que serve um único propósito: abrigar o Capitão Solidão dos temporais e inquietações da sua própria existência. Bem-vindos a bordo! Espero que gostem... ️ 

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Speaker 1

Ola a todos, o meu nome é David Arroz e estou aqui não na pele da personagem Capitão Solidão, mas sim no seu universo, o mundo que escolhi para este podcast. Para já mensal e, quem sabe, um dia em formato quinzenal. Este mês de maio, por exemplo, fugindo já a todas as regras, vou lançar dois episódios. Este episódio será uma mera introdução a esta atmosfera que eu próprio ainda estou a desenvolver. São episódios construídos a partir de muitas ideias soltas, inúmeros pensamentos encalhados e de mesinhas caseiras, totalmente inofensivas, tudo isto temporado com algum humor, ou melhor dizendo, boa disposição. É uma espécie de refúgio, um diário de bordo intimista e talvez desinteressante, localizado num velho farol esquecido. Pelo menos este é o cenário que eu imagino, um cenário natural que considero um verdadeiro tesouro. Aqui, nesta Torre de Sinalização Marítima, longe de toda a civilização, encontro-me a viver com uma espécie de fantasma de seu nome, Capitão Solidão. E o que é que me levou a mergulhar nesta aventura? Bem, é-me sempre difícil de responder e explicar porque entro quase sempre em contradição. Se por um lado existe uma vontade pessoal de querer mergulhar no silêncio e desaparecer por completo, por outro existe a necessidade sempre presente de querer comunicar e abrir portas e janelas ao mundo e criar algo que permite pôr em pratica o meu lado criativo. Julgo que é algo inevitável em mim e presumo que em todos nós. Tudo isto leva -me a momentos como , por exemplo, estar a ouvir um álbum e sentir uma enorme vontade de cantar, pegar na guitarra e, no meu caso, de tentar tocar alguma coisa. Ou quando estou a ler um livro e sou engolido também por uma vontade de querer escrever, ou quando estou a olhar para um conjunto de fotografias e sinto a necessidade de sair de casa para fotografar, ou simplesmente quando estou a ouvir um podcast e nasce a vontade de fazer um, como é o caso de agora. E tudo isto é mais do que um simples desejo de querer reproduzir algo apenas na minha perspectiva pessoal de ouvinte, leitor, ou de alguém que observa o mundo; passa por mergulhar de cabeça e de esvaziar também a mente para voltar a enchê-la de novas ideias, novas histórias, pensamentos, muitas experiências novas, sei lá... tanta e tanta coisa. Depois de ter decidido sair dos Boca Doce, projeto em que me entreguei de alma e coração, durante 12 anos e uns pós de Perlimpimpim, instalou-se um certo vazio, necessário, sem dúvida. Caso contrário, não teria optado por me colocar à margem de algo que me deu tanto e ao qual dei tudo o que tinha e sabia. No entanto, transportava um cansaço difícil de contrariar, inclusive até com a própria personagem que criei para subir ao palco, mais uma vez, o Capitão Solidão. E é estranho como é que trouxe esta personagem e a sua imagem para este projeto. Por isso é que digo que é um fantasma, porque às vezes decide intervir, dizer que vive em mim e que vem de um sítio caloroso e bom. Voltando aos Boca Doce, ser vocalista ou "frontman" de uma banda é algo que, pelo menos para mim, transporta uma responsabilidade acrescida. É um peso que não sei explicar muito bem de onde vem, que estimula, atrapalha, que exige até finalmente quebrar alguns de nós. E a mim quebrou-me. Digo isto e ainda sou um apaixonado pelos Boca Doce. Sinto até que ainda não cortei na totalidade com o cordão umbilical que me prende ao seu universo e que de muitas formas me atrapalha porque ainda me causa alguma dor, a dor do afastamento. Mas ela é natural e fico na margem a desejar com todas as minhas forças que este novo capítulo na vida da banda seja belo e incrível. Já está a ser e isso para mim é maravilhoso. Desculpem, não vejo mal nenhum em me expor por aqui, mas talvez para o primeiro episódio seja algo estranho. Mas para mim é algo que vem de dentro e é algo novo e por isso decidi partilhar. Esqueci-me também de vos dizer que esta será muitas das vezes uma viagem enfadonha, egocêntrica também, porque afinal de contas é o meu diário de bordo, como já referi anteriormente, onde falo apenas do pouco que sei e o pouco que sei, tendo em conta que sou demasiadamente esquecido, com memória de peixe, é de um tamanho ínfimo, talvez da dimensão de um pequenino pedaço de concha. Neste espaço não pretendo exorcizar demónios, nem abrir portas a quaisquer teorias da conspiração, apesar de, neste farol do capitão, existir uma ferradura e alhos pendurados atrás da porta e de eu já ter observado desta pequena janela a necessitar de muita limpeza, de já ter observado monstros marinhos com tentáculos verdadeiramente inimagináveis. É o lado bom de viver com um fantasma, isto num universo criativo. Tomei a decisão de gravar estes episódios apenas e só em áudio, isto porque gosto muito deste lado misterioso e reconfortante, trazido por uma voz suspensa no indefinido, numa espécie de névoa tranquilizadora, que nos permite imaginar ou tentar visualizar a partir de uma lente criativa, por exemplo, em que tipo de cadeira estou sentado, cadeira ou banco, que tipo de microfone e computador tenho à minha frente, se estou ou não rodeado de livros, cadernos de apontamentos, discos e daquilo que chamo de bojigangas sentimentais, das quais irei falar ao longo dos episódios, isto porque me considero um colecionador incorrigível e um verdadeiro apaixonado pela beleza das pequenas coisas, que são enormes, na verdade, pois são capazes de nos transportar para mundos incríveis. Neste podcast vou deixar as minhas ideias, experiências e interrogações navegarem em liberdade. Vou falar de música, de literatura, arte, cinema. No fundo, eu sou um apaixonado pela arte da criação e julgo que todos nós podemos fazer parte do seu universo de forma ativa, contribuindo para este enorme fluxo de ideias. E é esta a minha motivação, motivação não sei se egoísta ou não, mas gosto de mergulhar nestes locais mágicos, únicos, e que no meu entender revelam o melhor da humanidade. E se tudo isto é o melhor da humanidade, então não pode nem deve ficar escondido nas sombras. E vai ser este o meu mergulho de cabeça neste espaço, como é lógico, visto pelo meu prisma, com os meus condicionalismos, com as minhas incertezas, inseguranças, através do meu gosto pessoal, da minha estética, e de uma lente empoeirada a necessitar de uma limpeza constante. Isto é mais do que certo. Mas para ser simples e direto, apenas procuro unicamente aprender com esta viagem e não gostaria de o fazer sozinho e sinto, acima de tudo, que não posso perder mais tempo. Isso porque há tanto para ver, ouvir, ler e descobrir e cada vez mais considero o tempo precioso. Isto acaba por ser avassalador porque por vezes acabo paralisado quando olho para a gigante e deslumbrante montanha que tenho à minha frente e fico a pensar se algum dia irei descobrir ou alcançar o seu cume. Tenho de aceitar que isso pode acontecer, pode ser uma inevitabilidade, mas estou decidido avançar e começar a escalar. Numa outra perspectiva, um mergulho, numa perspectiva diferente, uma subida. E assim é, quero ter este diário para que se a memória me falhar ou me atraiçoar possa recentrar-me. Como diz ou como escreveu Rick Rubin no seu livro: "O Ato Criativo, Um Modo de Ser...", e passo a citar: "A razão pela qual estamos vivos, é expressarmo-nos no mundo. E criar arte pode ser o método mais eficaz e belo de o fazer. A arte vai muito além da linguagem, muito além das vidas. É uma maneira universal de enviar mensagens, entre nós, e através do tempo...". Incrível, não é? O método e a forma que irei utilizar para separar os vários assuntos desta espécie de programa de áudio online vão ficar reservados para o primeiro episódio. Vou para já guardar essa surpresa na gaveta, até porque ainda estou em fase de testes e o que parece incrível hoje, no dia seguinte, afunda-se num mar de desapontamento. Um dia de cada vez, sem pressa, e tudo acaba por chegar a bom porto. Dizer-vos também, quase a chegar ao fim desta introdução que já vai longa e talvez demasiado lenta, pois ainda não tenho o "endurance", não tenho a rapidez de quem faz podcasts há muito tempo, pois estou em formato de caminhada e não de corrida mas, para fechar, dizer-vos que apesar de estar nesta ilha longínqua a viver com o Capitão Solidão neste farol, de quando em vez vou dar as coordenadas a uma convidada ou convidado para termos conversas sobre vida, conversas bonitas, onde espero que todos possamos aprender um pouco mais e trazer um pouco mais de beleza e leveza a este mundo por vezes tão triste e cinzento. Despeço-me assim, até ao verdadeiro episódio do Capitão Solidão Podcast, onde aproveito para vos dizer que esta canção escolhida para ser o tema de abertura e fecho de todos os episódios foi criada por Ricardo Barriga e, já agora, estragada por mim porque decidi cantar num tema... cantar e a ssobiar, num tema instrumental. eMas o que interessa salientar e que o Ricardo Barriga para alem de um grande musico, e um extraordinário ser humano. Ele que é guitarrista de Rosa Sparks, Peste&Sida, Big Wierd Box, Trisonte, Boca Doce e deste belo projeto a solo de onde este tema saiu. Chama-se "Monsanto" e faz parte do seu novo EP intitulado "Ao Virar da Esquina". Tem 8 canções e 36 minutos de ouvir e chorar por mais. Espero assim que me possam ouvir em breve no primeiro episódio e até lá...

Speaker 2

Até lá, sereias e marujos...

Speaker 1

Pronto, capitão. Isto está gravado. Agora é só uma questão de ouvir isso.

Speaker 2

Mas olha la: Mas tu foste dizer neste podcast que eu era um fantasma?... Então, o que é que querias dizer com isso?

Speaker 1

Nada de especial, apenas dizer que és um produto da minha imaginação. Basicamente é isso: És um produto da minha imaginação...

Speaker 2

Um produto da tua imaginação? Como assim, um produto da tua imaginação? Tu é que estás no meu universo...Tu é que vieste aqui até ao farol para gravar estes episódios? Lá isso, é verdade! Anima-te, rapaz! Temos tantas aventuras para viver juntos, tanta coisa para ver, tanta coisa para ouvir. Olha, queres fazer uma caminhada? Vamos fazer um braço ferro conjunto contra o vento?

Speaker 1

Vamos a isso! Vamos pensar nos próximos episódios.

Speaker 2

Isso é que é falar! Olha, agarra-te ai a gabardine. Vamos a isto? Olha para isto, olha ra este vento pa..., olha, é por falar em vento., nem te contaei o que que me aconteceu ontem. Foi uma coisa incrível. Incrível! Acabo de sair do farol, para aí umas 5h45, 5h46. Não é que vou a caminhar e começo a olhar, vejo uma coisa ao fundo, uma coisa gigante, uma coisa parecida....

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