Capitão Solidão Podcast
Um Podcast mensal gravado no interior de um velho e enigmático farol, apagado de todas as cartas náuticas e rotas marítimas conhecidas. Isolado numa ilha longínqua, esquecida por todos, este farol serve um único propósito: abrigar o Capitão Solidão dos temporais da sua própria existência. É a partir deste refúgio que se entrega ao mundo, através de um diário de bordo sem páginas por virar. De quando em vez, são disponibilizadas as coordenadas para que uma convidada ou convidado possam aquietar o seu indomável e desajeitado coração de marujo. Um Podcast conduzido por David Arroz. Bem-vindos a bordo!
Capitão Solidão Podcast
Conversas no Farol - Ângelo Delgado
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O convidado deste mês de junho nas Conversas do Farol é Ângelo Delgado.
Nascido em Lisboa, em 1981, é licenciado em Ciências da Comunicação, variante de Jornalismo, pela Universidade Autónoma de Lisboa.
Deu os seus primeiros passos no mundo da comunicação na rádio TSF e na imprensa escrita, colaborando com o Correio da Manhã e o Jornal Metro. Atualmente é copywriter, trabalhando com várias agências de publicidade e escritor.
Em 2020 publicou o seu primeiro livro, Sem Ofensa (edição Alma Letra), com ilustrações de Sofia Ayuso. Trata-se de um exercício de desconstrução de expressões racistas profundamente enraizadas na linguagem coloquial do dia a dia.
No início de 2026 estreou-se na ficção literária com o romance Foi o Preto (Oficina do Livro / Leya), já na sua 2.ª edição. Um romance passado no Portugal dos anos 90 que aborda temas como a discriminação, a injustiça social, o racismo, o colonialismo e as feridas deixadas pelos tempos coloniais. Uma obra construída a partir da inquietação, da dor e da necessidade urgente de dar voz ao que sente, vê e ouve, sempre ao abrigo da sua maior paixão: a literatura.
Ângelo Delgado descreve-se como alguém que escreve muito e em diversos formatos, e que lê ainda mais (eu diria compulsivamente).
É também um apaixonado por viagens, fascinado pelo universo do futebol e por Diego Armando Maradona. Gosta de música, cinema e de cozinhar, privilegiando sempre um bom prato de peixe. Apesar de admitir não ter grande jeito para o desenho, é um amante da arte e dos processos criativos.
De coração aberto ao mundo, sempre com um sorriso no rosto e disponível para uma boa conversa, este é um pequeno retrato do meu convidado e amigo, Ângelo Delgado.
Olá a todos, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Capitão Solidão Podcast, um programa gravado num velho farol imaginário. O convidado deste mês das conversas no farol é Ângelo Delgado. Nascido em Lisboa, em 1981, é licenciado em Ciências da Comunicação, variante de jornalismo pela Universidade Autónoma de Lisboa. Deu os seus primeiros passos pelo mundo da comunicação na Rádio TSF e na imprensa escrita, com passagens pelo Correio da Manhã e pelo jornal Metro. Atualmente é copywriter, colaborando com várias agências de publicidade e escritor, tendo publicado o seu primeiro livro Sem Ofensa, com belíssimas ilustrações de Sofia Ayúzio no ano de 2020, numa edição da Alma Letra, um livro que é um exercício de desconstrução de expressões racistas impregnadas na linguagem coloquial do dia a dia. No início de 2026, estareou-se na ficção literária com o seu primeiro romance, Foi o Preto, publicado pela Oficina do Livro, Uma Chancela, do Grupo Leia, e que já vai na sua segunda edição. Passado no Portugal dos anos 90, este é um livro sobre discriminação, injustiça social e racismo, mas também sobre colonialismo e as feridas dos tempos coloniais, um romance construído a partir de um lugar de dor e de inquietação, do peso de uma realidade por vezes mais estranha do que a própria ficção e de uma necessidade urgente de dar voz ao que traz no âmago, ao que sente, vê e ouve. Tudo isto ao obrigo da sua mais valiosa paixão, a literatura. Diz-se ser um tipo que escreve bastante e em diversos formatos e que lê bastante, eu diria até compulsivamente, isto em todos os formatos. Pelo que conheço deste meu convidado, é um apaixonado por viajar, tem um fascínio pelo universo futbolístico e por Diego Armando Maradona, gosta muito de música, de cinema e de cozinhar, dando sempre referência a um bom prato de peixe. E, apesar do pouco ou inexistente jeito para o desenho, é um amante da arte e do seu processo criativo. De coração aberto ao mundo, sempre com um sorriso no rosto e disponível para conversar abertamente, eis um pequeno retrato do meu convidado e amigo Ângelo Delgado. Ângelo, muito bem-vindo. Espero que esta viagem até ao farol do Capitão não tenha sido muito atribulada. E começo por te perguntar, falando em viagens, como é que tem sido esta viagem desde o teu primeiro romance Foi o Preto, a partir da apresentação oficial que começou a 19 de Fevereiro deste ano no Centro Cultural de Cabo Verde?
SPEAKER_01Olá, eu para já estou de boca aberta por esta apresentação, é incrível. Diria até que foi das melhores apresentações que fizeram até da minha pessoa. Sim, não, mas foi bastante completa, aliás, até com algum exagero na mistura aí, mas pronto, vamos a isso.
SPEAKER_04Gostei do que ouvi e fico muito feliz por isso. Nota-se que isso. A viagem, a viagem. Não sei se podemos dizer abertamente, somos amigos, amigos também de uma longa data e de uma longa viagem fazemos esta vez. Não faria sentido, acho que sim.
SPEAKER_02Estar a ocultar aqui essa informação tão premendo e tão necessária.
SPEAKER_04Sim, provavelmente também fará que as pessoas entenderão que há aqui uma simbiose muito grande. É verdade na pergunta e na resposta na conversa e é se não faria sentido. Tu trazes aqui dois perfeitos trinos. Não somos muito seminhos, somos muito amigos. Até podemos dizer que já jantámos antes de fazer esta entrevista, estivemos juntos e estamos aqui no forall depois de uma bela jantarada. Sim, sim. O restaurante também sim. Era espetacular. Foi um belo repaste, posso dizer. Foi sim. A Vial e Macara mal passado. Culpa do capitão, não nossa. A gente só estreou comida do Capitão. Exato.
SPEAKER_01Então, a viagem.
SPEAKER_04Não houve não fogos guerrendo novamente no ambiente em que estamos. O ambiente marítimo, sim. Não. A viagem tinha sido. Parece que foi ontem, mas a viagem já vai longa. Como tu disseste, a apresentação foi 19 de Fevereiro, eu já não me recordava bem da data, sabia que era meados de Fevereiro. Tinha regressado domingo dele há semana, semana e meia, onde lá passei praticamente dois meses.
SPEAKER_01E ontem mesmo fiz uma nova apresentação, conversa à volta do livro, na Feira do Livro de Lisboa, uma conversa muito interessante com a Paula Cardoso, que também esteve, como tu sabes, na apresentação da Joana Cosão Henrique, jornalista do público, e da Sofia Palma Rodrigues, também jornalista da Divergente.
SPEAKER_04Então é uma viagem de sido ótima superado todas as minhas expectativas.
SPEAKER_01Eu tenho fiz imensas entrevistas, fui solicitado para muitas conversas.
SPEAKER_00A agenda neste momento não tem parada.
SPEAKER_02É uma agenda completamente preenchida, tenho notado isso.
SPEAKER_04Sim, e nesta viagem e nesta viagem tem sido por vezes difícil de conciliar com o trabalho, que é o que eu pago as contas, que é o que eu tenho que me conceder. E que tem de estar a prioridade, faz parte da prioridade, não há a menor concession. É a tua base, não é? Não há a menor concessão a esse nível, mas essa agenda preenchida que dizias tem provocado.
SPEAKER_05Se calhar o único ponto menos positivo desta viagem tem sido essa dificuldade em alocar todos estes convites que representam também um ponto positivo.
SPEAKER_04Sim, é um carinho especial não só pelo livro e um interesse também.
SPEAKER_05O interesse tem tido boa recepção e portanto no final das contas não posso quisar.
SPEAKER_04Gustavo é mais do que positivo.
SPEAKER_02E a minha pergunta é como é que tem sido esta partilha, este encontro, que é o primeiro grande encontro, com os leitores ou os leitores do teu livro, que já vai na segunda edição do Desperbanho também por isso. Ou seja, é com os telajus, os leitores agora têm um rosto, têm uma voz e querem falar contigo sobre o universo que foi construído por ti. Como é que é que lidar com tudo isto?
SPEAKER_04Olha, eu esta é uma segunda experiência, ainda que seja brutal. Mas esta muito mais intensa, né?
SPEAKER_01Exatamente, mais vívida. Mas começando no que foi, por exemplo, Lu Sem Ofensa, houve uma exposição com algum projeto através das redes sociais, na verdade normalmente através das redes sociais.
SPEAKER_04Houve também uma apresentação muito bonita, houve uma apresentação muito bonita em temos de Covid e portanto se calhar um universo mais de amigos e família, que também houve, obviamente, foram uma tiragem de alta de 500 exemplares, já não há sem ofensa, infelizmente. Pensa-se numa sua inedition, é uma coisa que não está a pensar, mas a Sofia não temos pensado nisso. Nós estamos com o Busso lá pontado a Braille. Mas já houve, e aí está, aí de forma repartida com a Sofia, já tivemos ali um contact with as pessoas, queriam saber o processo, como foi, como tudo tinha nascido, como foi a evolução, as perguntas naturais that are associated a lot of criação. Como foi o preto, é todo um universo, é um outro mundo, uma outra dimensionia.
SPEAKER_02I think o São Offense abriu uma janela e acho que o Foi o Preto abriu-te uma porta. Some dimensions different, but estamos a falar de se intitular o Foi o Preto como o primeiro romance, a primeira romance de ficção. Sendo que a question do other livro, Sem ofensa, era mais um exercício de desconstrução do próprio racismo.
SPEAKER_04Não era bem um romance nem uma pessoa de ficção. Sim, não, mas foi muito self-fice. É basicamente o caminho que vinha aí com o Foi o Preto. É uma estada que pavimenta o caminho para chegarmos aqui. É o desbravar, não é? É o desbravar. Eu ia dizer que com o Selfie Preto há aqui uma dimensão maior e portanto um contacto com o público muito, muito maior.
SPEAKER_01Que eu não estou habituado, não posso estar aqui a escondendo, não estou habituado.
SPEAKER_04Num certo momento, nos primeiros minutos, não sabia bem como lidar, porque também não estava à espera desta recepção tão calorosa, positiva. E às vezes tão intensa, não é? Não estava, não estava à espera. E como é que te preparaste para isso? Não estando preparado, como é que te foste preparados? Começaste a saber que a agenda estava a ser preenchida de uma tal maneira.
SPEAKER_05Foi tentar normalizar. Ou seja, ok, se me estão a chamar para conversar sobre o livro, eu vou conversar sobre o livro, porque eu fui o que eu escrevi, sei falar sobre isso.
SPEAKER_04Estás completamente à vontade de estar completamente à vontade para ele, agora não estava à espera desta valor de solicitações. Mas fui normalizando e fui naturalizando até mesmo o contacto com o público, através de inúmero mensagens, pelas redes sociais, pela rede social, digamos assim, o Instagram é a única que tenho. E respondo porque eu agradeço imenso que querem me ler. Para já. Este é o primeiro ponto, não é? Normalmente dizem que vêm ter comigo e dizem, olha, lê este livro, lê aquele, lê o outro. E eu tenho dificuldades a agarrar essas recomendações, respeitando-las, porque tenho tantos livros para ler e quero ler tantos livros que até aponto aquilo.
SPEAKER_00Já tens uma estrada que é feita por ti que já está.
SPEAKER_05Já tem dificuldade, já tens-te o suficiente e depois ainda me estão a ter mais carros a atravancar todo o caminho. E eu percebo que há muitos livros para ler.
SPEAKER_04When a pessoa escolhe o meu Ângelo Delgado, que basicamente é um perfeito desconhecido, eu parte do seu tempo a sentir aquilo, o livro neste caso, e a dar o seu trabalho de vir de me procurar, de ter comigo, de tentar perceber como é que tudo aquilo surgiu, que sei que tudo é verdade, ou então a fazerem desabafos do género, ainda bem que escreveste isto porque eu até aqui sentia-me sozinho. Percebo que agora sozinho, percebo que há mais e que há muitos. E sinto-me acompanhado. Sim, sim, sim. E isso é incrível. E isso acho eu é uma das coisas positivas que eu tenho levado disto. E eu faço questão, como disse há pouco, eu faço questão de responder a todos, perdendo tempo. É algo que me consome um pouco porque eu não. Eu de base não sou um adepto das redes sociais, mas percebo que é uma ferramenta essencial, não é? É essencial. Eu tenho esta pergunta mais para a frente. Ok, é tão óbvio. Mas também não te queria interromper no processo. Mas tem que ter que ver com isso, com a inevitabilidade da rede social para ser uma ferramenta de megafone. Exatamente.
SPEAKER_05Mas tenhas aí mais perguntas.
SPEAKER_04Eu gostava que me falasses a pouco sobre essa genes of those two lives, o Sem Offensa e Foi o Preto. Entendendo que estas obras canards of experiencias profundas. Conhecendo como te conheço, posso dizer que estas obras vêm de um lugar de dor andar. Como é que é dar o salto deste lugar profundamente emotivo, que é um lugar que te deixa sempre sem chão, para a escrita literária, para um lugar com várias cores and várias etapas. Como é que é passar deste lugar de dor para conseguir passar para o processo literário to pôres na escrita? Até poderia dizer que o passar para a escrita, essa dor, muitas vezes funciona como terapia. É uma necessidade.
SPEAKER_01A necessidade, por um lado, pôr alguns desabafos, vómites, como I did in the entrevistas, cá fora, mas lá para fora.
SPEAKER_04Na apresentação até disseste que era um grito.
SPEAKER_05Then we should utiliz a metáfora, but for a other later, a vont and amar to escrever.
SPEAKER_04And for other later a vontade to ginesticar. Sempre soubested that it was a particular that could be. I am a leitor compulsive in the years of faculty. Like this, in the prime years past faculty, a trabalho como jornalista.
SPEAKER_02I tenho essa experiencia in varios campos, na literatura até na música, ou seja, digo sempre que comecei tarde.
SPEAKER_04O que não quer dizer que seja um erro. As grandes obras que se calhar com esta idade fazem mais sentido se calhar serem líderes do que se calhar lê eles com 15 ou 16 anos. Não, sem dúvida, sem dúvida, mas I gostaria de ter leado mais in mais luz. Posso dizer, não é uma question of arrecadimento. Sentias que estudiar mais preparado or mais não percebendo como tu estavas a dizer ofrecedos que nos conectaram. Até os clássicos não fomos confrontados no secundário. Estamos a falar dos Mayas dessa de Queirozas, a falar da aparição de Virgilio Ferreira. Muitas vezes, mesmo não entendendo todo o conteúdo, toda a narrativa que o escritor ou a escritora querem ali mostrar, é um início de abertura de cabeça. A cabeça começa a borbolhar, começas pelo menos a sentir essa curiosidade. Há um outro mundo, há um mundo de criação literária. A música nesse aspecto tem um papel mais como a água, entra por todos os lados. A literatura não é tanto assim e tem que ser. Porque eu acho que a tua própria literatura é mais intrusiva. Intrusiva no sentido. Às vezes é intrusiva, muitas vezes tu não sabes muito bem o que fazer com aquilo. Eu lembro-me, vou contar aqui uma coisa. Eu lembro-me de uma vez, motivado não sei bem porquê. E entrei numa livre na Bucals, na livraria ali a Pedro Marques do Walk, que é curiosamente é da Leia. Vi alguns livros, mas capas de livros na montra. E disse: Eu vou entrar.
SPEAKER_05Depois li uma outra capa interessante, ali contei um outro político que eu até achava.
SPEAKER_04Pronto. Chamaram a atenção. Chamaram a atenção e eu entrei. É aquele cheiro todo livre sem ti. Mas depois a minha total falta de cultura livreira.
SPEAKER_05Eu não sabia bem como havia de procurar livros.
SPEAKER_04Vamos começar por aí. Então, como é que começaste a saber como procurar livros? Vamos te pôr aí nessa livraria. Mas isto é completamente ridículo. Não sabia. Completamente desconfortável. Por exemplo, essa imagem que tu guardas foi o início desse caminho. Aí não me encontrei. Aí eu saí desunido, saí triste.
SPEAKER_05Si triste porque eu não sabia procurar um livro. Tinha vergonha. Pronto, eu podia resolver aquilo de uma forma muito simples.
SPEAKER_04Quero chegar à pessoa que lá estava a trabalhar. Perguntar: olha, eu vi este livro da Montra e portanto pode-me trazer, por favor.
SPEAKER_05Eu nem isso consegui fazer, porque todo eu era vergonha, todo eu era humilhação.
SPEAKER_04Eu não sei se alguma vez eu falei sobre isto. Talvez não. Talvez não.
SPEAKER_05E saí da livraria, sem respostas para mim, mas ao mesmo tempo saio da livraria com vontade de regressar, com a vontade de me vingar.
SPEAKER_04Sim, sim. Eu para a próxima volta, mas volto com tudo. E acho que não foi na próxima, também não foi na seguinte, mas comecei a entrar na literatura. Começou por uma paixão que eu tenho, hoje um bocadinho mais chama, um bocadinho mais apagada, mas que é um futebol. E o futebol houve ali um conjunto de temas à volta do futebol, do futebol jogado, de biografias de alguns atletas, de algum universo que é subterrâneo do futebol, obviamente do hooliganismo. E aí sim, com algumas entradas já no mundo do racismo, com livros, reportagem sobre movimentos de extrema direita, e essa é uma porta de entrada onde eu vou ao ginásio, o ir ao ginásio e ele ler, ler livros de cento e tal, 200 páginas, começar-me a habituar a ter um livro e ter parágrafos e ter uma leitura com defunto. Deveria dizer que foste tu que encontraste o caminho pelos interesses que tu tinhas na altura. Não foi ninguém que, como tivesse partilhado esta conversa, este momento, e tivesse ido, olha, acho que devias começar por aqui e iam começar. Não tive, infelizmente eu gostava muito, e independentemente de quem fosse. Didi que esse teu caminho é belo, porque é uma descoberta pessoal, isto veio uma autodescoberta. Claro, claro. Mas gostava que a minha mente estivesse um bocadinho mais. Receptiva e mais aberta. Mas eu gostava de voltar aqui atrás aos teus livros. Vamos eles. Para te perguntar quais foram as tuas maiores influências literárias para a escrita destes teus dois livros? Ou seja, para poderes falar sobre um tema que nos deixa sem chão, como já disse anteriormente. In termos literários, onde é que te foste buscar, onde é que mergulhaste? Ele não tem influência, mas influenciou uma leitura das memórias da plantação da Grada Quilomba. Foi um livro que falava sobre a linguagem andava sobre a forma como a linguagem tem um peso muito grande no racismo, na forma discrimina. O meu livro parte dessa premissa da plantação é aquele parte, se não me engano, the tese doutoramento da Granda Quilomba, não me recordo bem, but I penso que é. O point de partida é desconstruir aquele tipo de frase muitas vezes dita na sociedade pelas pessoas. Daí o título, sem ofenso, pode ser aplicado antes da frase ou depois da frase. Depois da frase, exatamente. E a grada Quilomba e o seu livro foram um pilar importante para a criação do seu offense. Isto teve uma articulação também muito bonita e rica e feliz, diria, com as ilustrações da Sofia, exatamente. São belíssimas e trazem um complemento enriquecedor muito grande. É uma força muito grande no livro. Doute os parabéns também pela escolha.
SPEAKER_01A nossa Sofia é uma grande meniginha de há muitos anos já.
SPEAKER_04Um artista, um ilustrador, uma cabeça muito boa, e quando começámos a falar sobre o livro, ela rapidamente percebeu o alfa igual a fazer a coisa e meteu-me na massa e começou mais rápido do que eu escrever, estava a fazer testes, a mostrar a mandar WhatsApp with caminhos, e ele a Sofia está a andar rápido, mas ainda bem. Era sinal que isso ela também funcionou como se a Sofia está a andar assim, também tens de escalar. Quando é que se deu essa necessidade de escreveres o sem ofense? Quando é que sentiste que era o tempo certo para escrever a livre? Já estavas preparado para a escrita desse livro? Andava a escrever algumas coisinhas, andava a esbocinha, andava a ensaiar, estava a mostrar alguém, tinha receios de fazer.
SPEAKER_01Tinha alguns receios que não mostrei ninguém.
SPEAKER_04E onde é que veio essa coragem? Foi uma coragem, foi a coragem, foi a felicidade.
SPEAKER_05A coragem foi.
SPEAKER_04Lembro-me de estar no almoço e começarmos a dizer que vamos meter isto em prática. Com a Sofia, sim, com o Sofíamos meter isto em prática. Ela disse logo: ilustre-te isto, fazes isto. But isto nasceu de uma necessidade de se calhar aquela história. Achaste que era o tempo certo, estavas com a maturidade certa, achavas que estavas com a. Sim, queria até um outro formato, até se calhar escrevi hoje, mas depois teria de vender isso a alguém que achasse interessante ando de repente. Tu até me falar, eu li, não sei se Liceo ouviu, disseste que o processo até começou com um documentário que irias fez sobre o Milo Cabral. Não sei se é errado nisso. Esse é o ponto de partida. É, é a minha ideia inicial e é a minha ideia que. Tu começaste logo. Com um peso muito grande em cima de ti. Claro, muitas vezes desculpas. Tu quando pensas as coisas e estás deitar a pensar nelas, elas parecem todas fazíveis, parecem todas do mesmo tamanho. Eu quando comecei a pôr os mos na massa misto da Milcar ia estudar o Milcar e a ler a Milcar e percebi the enorme peso. Claro que depois teria aqui o apoio. I think I ainda estou preso ao Angelo que está inquela livraria, and the process, or so offense, ainda aí um caminho.
SPEAKER_05Sim, é um caminho lento.
SPEAKER_04Teria que passar por aí, mas dizia que ficaste desapontado, ficaste desiludido. Fiquei desiludido, fui ficando desiludido com o setor pessimamente também, sempre na corda bamba, no final de cada mês. E também fiquei desiludido com oigo próprio. É importante também dizer. Posso perguntar em que sentidos? Achava que era pouco. Estavas a estagar. Estava a fazer pouco. But eras tu que estavas a entregar pouco, ortias que já não havia muchas, querías? No, I asked a entregar pouco. I asked a entregar pouco. And in the alter, I trabalhava numa revista angolana que era Africa today, não sei se ainda existe. Falámos nisso ainda um bocadinho sobre a tuafobia que se transformou também num pedaço ofrecer. Uma torreça tremendo. Exatamente. Essa acho que foi a minha última grande experiência jornalística, no jornalismo, aliás.
SPEAKER_05E eu senti eles tinham uma. Nós tínhamos um escritório na LX Factory, ali em Alcântara, há muitos anos.
SPEAKER_04Ainda não era bem aquilo que é hoje. Não era o Cowork, não era? Era o Cowork, era no Cowork de Lisboa inaugurado pelo Fundamentos. E nesse espaço, não no Kawork, mas in todo o edifício borbolhava inquela. Havia ali um pulsar crítico.
SPEAKER_02Até porque o próprio espaço também puxava para aquele.
SPEAKER_04Já havia isso, gabinetes de arquitetura, estudios de design, agencias de publicity. And this ambiente começou de alguma forma a fascinar. Isto por um lado. Porque era a creatividade, o vergulhar of. É muito giro, é um bocado como a livraria.
SPEAKER_05Havia ali alguma coisa, but I don't even have it.
SPEAKER_04E até que há um amigo meu com quem acredito que irei no futuro avançar com isto, o Núcleo Cabral, que é o César, César Furtado, que já tinha e tem ainda uma agência de animação que é a Dialogue. Ele estava a fazer um trabalho sobre na altura a intervenção da Troika em Portugal e ele estava a fazer um vídeo de animação e precisava de um script.
SPEAKER_05Eu já tinha uma ideia, mais ou menos, um manifesto. Precisava de um script e feito comigo e perguntou: bem lá, tu escreves, fazes scripts e o que era? Não sei, deixa ver. Começou assim, aquilo acho que correu bem, se não me recordo bem, ou pelo menos metade foi, mas aquilo provocou em mim.
SPEAKER_04Sim, sim, decidiste mergulhar. Percebeste que poderia ser uma porta de entrada.
SPEAKER_05Depois ele pediu-me mais uma e outra coisa.
SPEAKER_04Depois eu comecei à procura de comparalamente. Eu conheço sendo que não te conheço. Acho que tu chegaste a uma etapa deste processo em que disseste assim, tenho que preparar melhor. Eu gosto disto, sei que isto é um cabezas, mas tens que te perguntar. Fui fazendo as duas coisas, foi fazendo como se dizia uma expressão que eu vos uso, mas como é que era? Era formação onde jogue, não é? Eu ainda trabalhei pós-textana. A começar a fazer teste mais criativo para site. Eles estavam a lançar um site novo e a aquela época.
SPEAKER_02Por acaso, eu também fiz lá um team singing com a equipa toda, era na parte musical.
SPEAKER_04E era um site com ali com um tom leve, mas ao mesmo tempo forte. Isto é um bocado ambivalente, mas era mesmo assim, ou seja, uma leveza na comunicação, mas forte naquilo que queria dizer. Mas depois disse, mas eu para merulhar isto eu tenho que entrar na espécie de empresa, ou seja, uma agência, onde eu faço isto todos os dias para que eu vá. Como ir ao ginásio. Alguém que te dê aquele espaço para tu também começares, entrares, andar que lá está. É como tudo. Acho que as horas de dedicação fazem nós profissionais, seja se dedicarem, se tiver amor pelo que estamos a fazer, facilmente chegamos lá. A minha pergunta era mesmo esta, é ser copywriter é condensar, é encurtar, é trazer beleza no mínimo de espaço possível.
SPEAKER_02A minha pergunta é, a literatura é o seu contrário.
SPEAKER_04Ser copywriter, and neste moment já se calhar com um ou dois romances na gaveta, nem queres falar sobre eles porque ainda estás no processo de promotion deste romance, but como é que é isto? Conciliar duas coisas tão dispares, tão diferentes a dois ginásios diferentes? Na passagem do jornalismo para o universo da agência foi difícil a forma de pensar. Porque vinhas formatado para um. Tu passadas por três processos diferentes de escrito.
SPEAKER_05A jornalística e esta escrita e lembro-me de ter alguma dificuldade em entrar.
SPEAKER_04A questão é que na publicidade, muitas vezes, alguns dos trabalhos que nós temos passamos a semana toda a pensar e escrevemos uma apresentação na quinta-feira para ser a revista na sexta ou para ser entregue na sexta, uma apresentação que até pode ter 30, 40, 50, 60, 70, 80 slides, sim, mas é um processo em que passas, passas ali dois, três dias a pensar nas coisas e depois é que colocas no papel algo no jornalismo. É frustrante quando esse algo não está de acordo com uma coisa que tu achas que para ti. É bastante. É bastante porque não é fácil tu teres 3-4 ideias.
SPEAKER_02E às vezes a última que mandas para lá é aquela que menos quer que seja aceita e é a primeira a ser aceita ou qual é a mão.
SPEAKER_04Então nenhuma das tutes é aceita.
SPEAKER_05E isso é que te coloca um problema porque aí depois tens muito pouco tempo.
SPEAKER_02Ou tu achares que se calhar não foste às vezes necessárias ao ginásio para chegares lá.
SPEAKER_04Sim, mas muitas vezes tu vais também aprendendo. Tu se tens uma semana para fazer as coisas, não és perto deixares a discussão da ideia para quarta-feira, ou final do dia, ou quinta-feira. É importante na terça-feira ou final do dia mostrares alguma coisa e fizes esta pergunta, que é aumentar. É este o caminho para tu própria saber se estás no caminho. Quem decides é que sim, quando fores apresentar aquilo que tens que apresentar, está tudo certo. I fiz esta pergunta inicialmente porque na apresentação do teu livro the editor estava a dizer que teve que puxar por ti.
SPEAKER_02Ou seja, esta tua faceta ofright levou numa primeira abordagem a ter que puxar mais por ti.
SPEAKER_00Ou seja, o livro estava basicamente concluído, ele leu o livro e disse Temos que esticar aqui mais.
SPEAKER_02Um publicitário que estava ali a encurtar, ou seja, havia muita beleza e havia muita coisa condensada que podia ser expandida.
SPEAKER_04Sim, e foi isso que eu fiz. E estás agradecido por essa. Não, claro, porque o Francisco fez um trabalho, Francisco e a Joana da Leia. Como é que foi esta paramadeira que acontece de algo? O Francisco disse: isto está aqui tudo, falta alongar, falta dar aqui mais voltas ao sol e com isso ele não está aqui a querer dizer vamos pôr, não é nada disso que é assim, eu disse, abre esta porta, que esta porta tem que ser aberta. Esta porta merece ser aberta, temos que explorar mais este ponto. Ou seja, esse apontar as direções são excelentes neste trabalho de diálogo entre escritor e editor.
SPEAKER_02Isso é um processo que leva quanto tempo, por exemplo, estamos aqui a falar, isto também é importante para mim, é saber, por exemplo, entre um livro que tu achas que está finalizado, até passar pelo crivo de um editor e até chegar a ser o livro editado e estar cá fora, estamos a falar de quanto tempo?
SPEAKER_04Ou seja, esse caminho em que ele diz que está incompleto e que precisa ser melhorado, leva um ano, um ano e meio. Eu diria que foi um trabalho aqui de siete years, que soy. Para ti foi desgastante or motivador? A resultado final rapidamente meti na cabeça that aquilo era um verdadeiro privilégio. As pessoas mandaram enfiarem um manuscrito, receberem uma resposta, dois receberam uma resposta positiva, três dizerem que aquilo está bom, está muito fixe, mas vamos aqui melhorar alguns aspectos.
SPEAKER_05E era isso que eles estavam a fazer comigo.
SPEAKER_00Até porque a maior motivação já tinhas dito que era a recepção positiva in relação ao que tinha escrito.
SPEAKER_05Exatamente. É, e precisa dizer que não podia ali em meio do processo ficar triste.
SPEAKER_02Ou desmotivado ou dizeres não ias continuar. Estavas tão perto.
SPEAKER_05For esta frase or aquela não serem bem visto, bem recebidos, or aquele pensamento, or aquele caminho.
SPEAKER_04Tem que ser mais explorado. Ser mais explorado orgulho criticar. There are stations. But then there's liberty for libertarians for I was.
SPEAKER_05Clark. It's a diálogo. It's a constant negotiation. It's important to perceives where the melhoria and once is what the other lady is a very good, which is important for you as a man, and chamares a attention, because it's possible that he esteja nos tues chapacts and disses: I don't quit retiring or mudar ist, because for me to represent X e F. No, there's obviously a sensibility to dizer, okay, para.
SPEAKER_04And aquele point in quees tão mergulhado na tua obra que não consegues ver para além de andar alguém externo que te diz e que te abre e eles portas as janelas. E depois parecia uma coisa tão difícil, passa a ser tão fácil e dizes, como é que eu não lembrei disto? Eles aí são fundamentais. Mostram-te, mostram, iluminam-te basicamente, vais o caminho que tu já não estás a ver muito bem, estás very e já estás desfocado, não é? Estás tão focado que fica desfocado. Fiquei desfocado, já. Sentes que ficas disposto, que ficas nu, even uses esta capa literaria através dos personagens, através desta ficção que é uma ficção realista, but even using a mind alternative, sends-te que te estás a expor? Eu estou a expor essa acusação. Estou a criticá-la, na verdade. Mas longe já falamos também sobre isto, longe de ser um livro panfletário ou de manifesto político. Sim, não é de todo. Mas o tema o racismo facilmente resvala para caminhos políticos, para caminhos ideológicos, para discussões mais acaloradas. E portanto, sim, sinto que me exponho, e a exposição do Funho Preto faço com que essa nudez que tu referias fique mais visível. As redes sociais são as caixas de comentário das redes sociais, às publicações relativas ao livro, às entrevistas que dou quando falamos de temas um pouco mais polémicos, diria assim, é facilmente identificável as acusações, as agressões, as ameaças.
SPEAKER_02Parece que a Danieste a minha próxima pergunta, que era ter uma porta aberta ao mundo é algo belo, permite uma conexão extraordinaria. And this conexão extraordinário has been in lock, cara a cara with as pessoas que vão ter contigo, autógrafos, pedem sobre the livre.
SPEAKER_04I say that I consegue innumerous commentaries, to take this curiosity to accompany what is a way. Ignorant aggression, e eu apareci agora tiveste uma exposição de alguma exposição e tive em algumas entrevistas que essa exposição foi clara e portanto fui também alvo desses comentários menos expositivos. Vi isso com naturalidade, a incredulidade veio só por ser eu, porque tu tens aqui duas perspectivas, não é? Tu até ali, eu neste caso até ali eu era um espectador distante dessa realidade, sabendo que ela acontece. E devias acontecer a outros, e dizias como é que isto é possível? Como é que isto é possível? Essa é a minha pergunta, porque hoje em dia, acontecendo contigo, isto.
SPEAKER_05Exatamente, naturalidade no sentido de que aconteceu. A incredulidade é pá, sim, isto é comigo.
SPEAKER_04Mas eu fujo desses comentários e não fugi because foi o primeiro momento with centenas de comentários sobre um assunto que tem que ver com passaportes and entradas no território cabo-verdiano e portuguese. A partir daí I tive curiosidade em perceber o que é que andava ali a dizer.
SPEAKER_05Sim, mas aprendi a lição rapidamente.
SPEAKER_04I say nesse mesmo podcast que eu dou o podcast, com a Paulo Cardoso e a Angélica, eles geraram até uma republicação ou a declaração que eu tive e também teve muita repercussão e eu já não fui ver. O caminho é esse, é passar ao lado, perceber que as vezes já is por um lado. And the maiores armas, pegando nesse ponto que achas que temos para pôr para dar um pontapé na ignorância para gerar mais empatia, se calhar este é o termo mais correto. I não tenho resposta para de que forma vamos unir. Mas pensaste, este livro é escrito para quem? Não teve nenhum. Este livro não teve. Este livro não teve nenhum leitor tipo, como se faz na publicidade ou se define o Target, não é? Não escrevi. Mas escrevi sabendo à partida de quem vai ler. Porque dos comentários negativos de internet são pessoas que não leram o livro, nem vão ler. Também não ouviram nem leram a entrevista. Ou as entrevistas. Apenas se singem a 15 segundos de um vídeo. E a partir dali-se. Começam a descobrir. Eles próprios fazem o livro numa caixa de comentários. É um debate que já vai mais de um mês. Estão ali, bate boca, toda a gente, uns e outros. Nacionalidade para aqui, nacionalidade para ali.
SPEAKER_05Isso tem entre eles, pois há uns que se lembram de me e que me ameaçam.
SPEAKER_04O livro não será lido para essas pessoas. Não que I don't ten escrito para elas or elas.
SPEAKER_05The livro é só as deverias, quem quiser leva para casa andar as suas conclusions, como qualquer outro livro, polémico que há, e são muitos, e mais do que o meu, de longe.
SPEAKER_04Não falámos também no processo de inspiração de dois escritores. Não sei se chegámos a tocar nessas duas. Falaste-me numa primeira, que eu agora não me recordo do livro que tiveste como inspiração para esses dois livros. Também há o racismo no país dos brancos costumes. And agora também é uma novela gráfica que me mostraste da Isabel Ferret, que é. Também tiveste o prazer ando de privar com a Isabela neste combo em literário. Sim, sim, tive, tive. Foi ótimo estar com ela, foi ótimo falar com ela sobre literatura, mas sobre coisas também da vida, sobre as nossas vulnerabilidades, sobre as pessoas que amamos mais e que muitas vezes são essas também que nos fazem sofrer. Sabes que eu tenho memória de peixe e por isso é que Nestas conversas que tiveste disseram que a literatura pertence ao submundo ao subterrâneo. E que é que deve ir. A literatura deve ter essas duas. Não só porque lá está a tua caminhada enquanto leitor já vai para caminhos. Já falámos nas piscinas que eu nado andes em tonadas, portanto tonadas contra a corrente. São os mesmos, são os mesmos. Muito longe, muito longe. Normalmente encontramos na mesma piscina. Mas tu nadas contra a corrente no mar, eu ando numa piscina de já nem sei se tem 25 metros às de 50, às de 25, se calhar está numa de 5. E acho que faço grandes partes. Isto estás a ser muito modesto. Mas isso para te dizer que também vem dessa parte. Deixa-me agora devolver aqui, não te esqueças, que lemos os dois juntos, o vermelho e o negro do Stendhal.
SPEAKER_00E portanto, isto se anda a embar em oceano aberto com muita dificuldade, com muita densidade, mas é um grande leituro. E tu a pegares na mão, faltam só dez ramadas.
SPEAKER_04É um grande livro. É um grande livro. É um grande livro. Eu não posso dizer o livro em si. Ele tinha momentos, ele tinha capítulo. Belíssimos, belíssimos, tinha outros muito distintos.
SPEAKER_02Mas foi uma travessia no deserto, no deserto no sentido para mim. Lá está. Estamos a falar de piscinas e ao final de contas estamos a falar do deserto.
SPEAKER_00Mas às vezes era a área, era muito árvore.
SPEAKER_02Era a área e às vezes sangrar. A montanha mágica que tu chegaste ao cume da montanha em que eu não cheguei, mas. É que não é só chegar ao cume, é chegar ao cume e descer.
SPEAKER_04Eu portanto eu nem sequer me aproximei de. Mas sabemos que o Vermelho Negro é aquele romance típico do século XIX. Eu não sei porque é que decidimos fazer essa leitura conjunta. Nós começámos com 5 esquinas, lembras-te? 5 esquinas foi Facílimos ou Fargo Gastrosa, Facílimos Erótico com passagens lindíssimas. Mas o Vermelho Negro acho que quisemos ir para um clássico. Eu acho que a ideia era esta, de base. Acho que nos quisemos estragar um ao outro. Era incrível. Eu adorava, eu havia momentos em que estava a adorar o vermelho negro e depois havia momentos em que eu dizia: I não consigo estar aqui. Mas quando eu estava quase a desistir, ele agarrava-me pelo meu Stamble e dizia: Não, está aqui. Ou às vezes agarramos um ao outro. Olha aqui esta passagem, estávamos sempre nisto, nas passagens de para ou outra. Eu já não lembro o nome dele. Lembram-me dela, Madame de O Renato. E aquele sítio, aquela vontade dele de ascender. É uma escrita. É incrível de ascender, de fazer parte, ou de se vingar de burguesinho. A cartucha de Parma também é dele que terá, não? Nós lá a cartucha de Parma. Não vende o stand. Tu já me disseste, não vais à cartucha de Parma. Eu já agarrei no cartucha de Parma algumas vezes, mas quando. Mas lembro-me negro e meto-te outra vez na Agora a tua última paixão. Mas a última paixão só para ir ao. Só para ir ao Thomas Man e à Montanha Mágica. A Montanha Mágica é um grande livro. A Vontanha Mágica é um livro de uma vida. Agora nem sempre vai dar prazer.
SPEAKER_02E também comecei com uma coisa mágica do Mano, que é o Mário Mágico. Mas a Montanha Mágica lembra-se o é que dizia. Vou ler a Montanha Mágica.
SPEAKER_04Tenho aqui a Montanha Mágica. E depois foste tu que abraçaste o livro. Eu tenho aqui uma coisa. Lembrou que é um grande livro. Tu tens uma espinha encravada, mas conseguiste tirá-la facilmente e dar seguimento e fazer o teu caminho até ao fim. Eu não consegui por duas vezes já e uma das minhas assistências até se prendeu contigo porque eu estava muito entusiasmado com esse livro. O Bolan O Bolan desistiu. Desististe tu e eu ainda queria te perguntar, aqui uma pergunta que eu tenho que te fazes parte de um conjunto de perguntas, mas perguntar-te desistir de um livro para ti é custa muito. É uma ausência de coragem, é uma ausência de custa muito. Acontece sempre com este bolanho, é o 2666, não é? 2666, sim. Ou 2676, não sei como é que está. Não sei, quando soube com esse, eu lembro de ligar e dizer assim, não dá, vou ter que seguir outro caminho. Vou para o outro lado. Mas não te estava a fascinar ou não foi na altura errada? Era pelo que eu vou fazer. Eu acho que foi na altura. Não, também não é para mim esse tipo de mete medo, mas fico também desiludido com isso.
SPEAKER_05Sim, é um sentimento, sim.
SPEAKER_04Mas muito recentemente desisti também porque estava também muito aos soluci. Eu até estava a gostar da escrita do Dr. Givago, do Pasternak. E que até estavas a amar, de certa maneira, estavas a ter. Acabei de dizer agora a escrita fabulosa, nunca tinha lido nada do Pasternak, mas estava ali aos Slovencos e não gosto principalmente do Literary. Literatura gravar, preferes. Literatura russa estar aos Slovencos é, pelo menos da minha forma de ler livros, literatura russa não pode ser um litro aos slovencos. E quando se não és este tipo de existência, mas é de algum dia voltares ou é uma coisa que vais. Achas que vais voltar ao. Vai ser difícil. Eu nunca mais voltei ao. Nunca mais voltei ao dois do Golan, gostava muito, que era, and este pasternack, o Dr. Givado, que não gostava, mas eu para me redimir, fui logo ali o Caim do Saramago de uma assentada, é um livro relativamente court. Eu já tinha o Ceramago. Não posso afastar muito. É sempre um mergulho se calhar uma vez por ano. Duas. Duas vezes por ano. Até tribinar os livros dele, mas são muchas e releer também. Reler também faz parte, sim. Embora também já tenhamos chegado à conclusion that with tanta coisa que temos pelo caminho é difícil. Mas eu já reli. Gostavas agora de voltar a ter 15, 16 anos e poderes começar o teu processo de leitura com essa pessoa. Eu gostava muito de ler os irmãos Caramasov novamente. Vou ter essa possibilidade de lido. Pode ter lido.
SPEAKER_02Ou lês de uma forma daquela cronologia que já falamos, que já vimos muitas vezes, como ler Dostoevsky, por exemplo, como começar e onde acabar. Sendo que eu acho que os Irmãos Karamazov será sempre o expoente o pináculo de Dostoevsky.
SPEAKER_04Há pessoas que dizem que é o crime e castigo. Para mim, Karamazovski. Também desistiu um livro que lá está, as minhas existências não são bem como as tuas, que eu acho que tenho que voltar a elas, apenas desisti, já não sei, por causas.
SPEAKER_00Mas, por exemplo, o idiota, o idiota, e o Guerre Paz também, mas do Dostoevsky, o Idiota. E que estava a amar, literalmente estava a amar o livro. Não era algo que me dissesse assim: estou aqui aos Lavanques, estou aqui a perder o meu tempo, ou não me estou a sentir que estou a encaixar na história.
SPEAKER_04Não, eu estava verdadeiramente a amar.
SPEAKER_01O Idiota, o Idiota é um livro muito grande, um romance longo de Grande Fogo de Dostoevsky, é um livro que me fascina, não do ponto de vista da escrita, mas naquilo que é o lugar da beleza e da bondade, ou seja, que não existe, não há lugar.
SPEAKER_04Exatamente. E o Dostoyevsky nesse livro diz-lhe isso. Quando há um excesso de beleza e de bondade, de seres um ser humano empático e quase sem defeitos. Óbvio que ele hiperboliza a personagem. Faz ele um verdadeiro saco de pancada social. Um louco. A pessoa com uma doença. É aí que ele nos quer levar, que é não há lugar. A pessoa boa, a woman bone, a mulher boa, não cabe no sociedade. A sociedade não consegue aceitar a pessoa with a nível de bondade. Vê ali um defeito. Vê um defeito. É incrível. Vê defeito. Vê defeito de fabrico. Não tem lugar. Tem que ser afastado, tem que ser colocado no sanatório. E porquê que achas que não tem esse lugar?
SPEAKER_02Eu acho que nós todos nascemos com esse lado bom que se vai corrompendo à medida que vamos crescendo, que vamos vendo que a realidade nos engole.
SPEAKER_04Será que é por isso? As pessoas não aceitam porque vamos sendo engolidos por mais coisas que são corrosivas do que belas, ando não conseguem aceitar quando o belo surge na sua plenitude? Porque este caminho que estás a fazer é um caminho belo.
SPEAKER_02Aquilo que estás a querer desconstruir nos teus livros é sempre belo.
SPEAKER_04Ele vem de um lugar de dor, mas é do lugar wherever, the inocência de seu. Ele procura trabalhar ou expor uma injustiça. Andas do idiota, tu fases de um ser humano que, por ter determinada características, de alguma forma ser uma discriminação, but a discriminação from another point of vista. The idiota is a woman doented. Quem faz a definição dessa doença é quem tem o poder. It's important dizer, and the poder muchas negas a virtudes. In as tantas na leitura sentimos desconfortáveis with it. In dizer que a pessoa seja ma. Exactly. Discomfortable. The idiota is constantly in subterranean.
SPEAKER_02Nasces in Lisboa, but is filter of pais Cabo Verdianos.
SPEAKER_04Of course, or redescobar?
SPEAKER_01Com toda a força.
SPEAKER_04Ainda vou dizer uma de redescoberta. Foi uma descoberta. Ou seja, a minha casa sempre se viveu e respecto. Sempre se falou dessas histórias respirou o ambiente de Cabo Verde. Daí eu pôr esta redescoberta, porque ouviste muito e éramos uma família hoje em dia rara, ou seja, éramos seis pessoas num apartamento, viajarmos em 80 ou 90 era um busche, mais ou menos por uma família de seis pessoas. A tua primeira ida a Cabo Verde foi com que idade? Em 2014, com 30 e poucos? Fui com a minha irmã, minha sobrinha e com o Bruno Martins, que tu também conheces. Uma viagem.
SPEAKER_02Aliás, há uma foto que fala sempre sobre essa foto. Mas para quem não está a ouvir, se calhar, como não vê a foto, é difícil de eu falar sobre ela. Para mim trouxe muito, porque haver duas pessoas que eu gosto muito.
SPEAKER_04Uma foto é a única. É uma foto incrível. Eu recordo-me de estarmos e cresce no plantão. Estávamos em Caibos e lembro-me de estar na ponta de um penhasco com ele a esticarmos o braço com os telemóveis a tentar apanhar a rede. Era fantástico. E à noite não houve uma luz, não nos vermos. É incrível. Cabo Verde teve isso, teve essa descoberta. Não sei como pintar um quadro que estava a Preto Tibet durante toda a minha vida até ali. E foi uma viagem crescida. E essas tintas que te deram para pintares eram mais belles do que aquilo que imaginavas? Eram igual. No fundo eram aquelas, eram aquelas cores, eram exatamente aquellas. Sem tirar nem por relatos eram very clears, muchas reais. Os Cavardianos are excellent contadores oficials. And I was lived. When I embarked in the aeroport of São Pedro, Catarina, who is a minha sobrina, and a great amigo and you feel a sense. Explorar aquilo, conhecer people. And a particular day foi. Paixonei por aquilo. A última vez que estiveste lá foi. Um mês e meio às vezes, passei lá o Natal e um ano novo. E me trouxeste um bom peixinho. Eu me trouxe um peixe para degustares. Não sei se já o conheces. Não, não, eu já tirei uma foto e tudo. Na verdade, já me conheci, pá, também tenho memória de peixe. Evidentemente estamos a falar de peixe. E vou para lá agora. No início de julho, vou lá apresentar o livro. Tenho estado no meio dele constantemente because it's sítio que me traz. Traz muito. Traz um pedaço de casa que eu tive in this time. Trazcob as my ries, as my lutas, not a lot of people. It's a sitto where I started constantly. The música desde cedo, embora o interesse tenha visto mais tarde. Ou seja, conheces a Cesar. O verdadeiro mergulho conheces a Cesar, conheces os tubaradores, conheces o Wilde, conheces o Sarah. Ouvias como som de fundo, mas não era uma coisa que te exploraste. E gostas, conheces o Paulinho Vieira e conheces os Cavers de Show e o Malura. Mas é muito feliz essa expressão, como som de fundo. É curioso, e voltando novamente a essa viagem in 2014, dá-se aí uma mudança, dá-se aí um querer agarrar o conteúdo daquilo, o significado. É o Angelo, em vez de estar na livraria, está em Cabo Verde. Sim, sim, com um ombro a um ombro com lá novamente com o Martins, porque o Martins percebe a música que é um absurdo, não conhece muita música, mas o Martins também aí, pela sua curiosidade natural, ele vai também muito em busca daquilo que são as sonoridades que há verdades, ele também é positivamente afetado por isso.
SPEAKER_05Eu a minha cabeça estava a abrir para isso e depois vemos ali uma parceria de uma parceria, olha isto, olha aquilo, aquilo, eu lembro-me de mandar letras e ele mandaram e o Martista consegue apanhar bem a língua e ele apanhava rapidamente o Criol, nomeadamente o Coreo de São Vicente.
SPEAKER_04E portanto houve aí até essa conjunção, foi fixe, às vezes, quando fazes o caminho de braço-se mais leve e mais leve. Era um caminho com prazer. E depois lembro-me de estarmos a trocar, estamos a ouvir Ilde Lobo com alguma lobo abordando a temática da injustiça, de imigração, de algum racismo, não de forma lá está proprietária, mas com os toques de forma muito bela com o Wilde e as pessoas que escrevem para o Wilde o faziam e portanto na música depois ela ganhou essa dimensão aí. Na literatura, pronto, o caminho natural de começar a ler e de repente ler muito. Já é um caminho mais isolado e de repente tu perceberes, tu queres perceber, pá, espera aí, a literatura cabo verdiana tem grandes nomes, é excelente e é um país de muita criatividade, de muito talento. Foi natural, mas chegaram ao Germano da Almeida, que é para mim a mãe, acho que está feita a apresentação, com o Itobra publicado, o Mário Lúcio, que esteve inclusive ontem na Feira do Livro, que o Diabo é o meu Padeiro, que é um livro sobre o Tarraval, os vários momentos do Tarraval, e com a última lua do Gredomem, penso eu, que é sobre o dia do assassinato do Nilcar Cabralé e o Baribúcio, o artista também tem um projeto que são os cimenteiro em Cabo Verde, um projeto musical, era professor, já foi ministro, é tremendo, muito polivalente. Baltas à Lopes, com o primeiro grande romance, Cabo Verdiano, o Chiquinho, nesse processo de descobrir Cabo Verde, descobrir a luta, descobrir a dificuldade, descobrir a fome. O Chiquinho é um guardão de visita. Esse livro têm todos um grande impacto, são bem a sua visibilidade como eles merecem, ou sentes que ainda há. Um Chiquinho, um Chiquinho, não tanto, o Chiquinho é uma obra de letra obrigatória para os cavergantes, tal como nós temos os nossos aqui, os Luzides. Eu diria que Germano, Almeida e Mayo. Mais o Germano, o Germano é PB Cabões. E está na lei, também, na caminho, com o Zafrim. Já privaste com algum deles, inclusive em Cabo Verde ou não? Com o Germano, sim. E como é que o Germano vive no mundo dele? Como é que era o Sanjo com essa aproximação? Disse-lhe que já tinha lido os livros, quase todos os livros dele, e já, e é verdade, não estava a mentir, não ouvi diciendo nenhuma de mentir. Ele disse-lhe como é que eu tinha tido coragem. Como é que eu tinha tido coragem de ler tantos livros dele com tanta coisa boa? E a tua resposta foi isso, foi.
SPEAKER_05É que os teus são bons.
SPEAKER_04Há uma leveza muito grande, os artistas, pelo menos ali no nível dele, cirandam onde a gente anda ali uma partilha muito grande, sem grandes digamos muros à volta, e portanto ou os muros são quase inexistentes, não é? Praticamente. Praticamente o germano anda por lá, em alguns sítios onde eu também gostava de assentar a Reagaz, and in one of the primeas que eu vi. Vou aproveitar esta oportunidade com ele, sim.
SPEAKER_05Foi Dick John. Foi numa peça de teatro uma peça inspirada num livro dele, que eu agora não me recordo qual.
SPEAKER_04Não sei se era Memórias de um defunto orgulho o mundo. Mas era inspirado no obra dele. Ele também estava lá, queria obviamente assistir e era a estreia e queria assistir e eu vi o lá e conversei um bocadinho com ele. Foi interessante, mas foi isso. Say that you send that to clockes nos a ler o teu livro e que se sente representated, who sente que gostou da tua obra, que sente que está do teu lado e quer falar comti, dás esse espaço de abertura para que as pessoas possam também exprimir e dizer o que sente é importante. É, é, e eu dou, e o Germano deu-me a mim. Aliás, ele tem o sentido de humor muito afiado que se nota nos livros dele e que também parece que leva para a vida mediante que a resposta dele é, porque quando lhe disse que está ali nos livros dele, ele disse como é que eu tinha chorra. Sentes num lugar menino pequenino e ao mesmo tempo também do escritor, estás nos dois lados. Nem sei se fizeste a pergunta bem feita. Não, mas eu entendo se onde é que vai e eu raramente abordo o escritor quando vais, não acho que estás no seu espaço, abordei o germano naquele momento, porque sentiste que estavas num ambiente que permitiu esse. Exatamente, ali no Mindelo, alguém que eu tenho lido muito. Também sei que sabes medir as sensibilidades e perceber quando há uma abertura para. Exatamente. Achei que era um momento ótimo para o fazer. Relativamente a mim, novo nestas andanças. Sem grande experiência para contar, mas daquilo que já me aconteceu, e aconteceram algumas coisas nestes primeiros sixes oferecing. Eu já o disse aqui as abordagens que eu vou recebendo. Eu retiro um privilégio. Isto é um gestível para o teu próximo livro, no sentido em que te dá mais força para contar. Dá mais força, as pessoas virem até comigo e dizerem que gostaram muito dizerem-me para continuar, porque vê em caminho ali naquilo que eu escrevi. Dá-te força, as pessoas abordam e eu darei sempre que puder e conseguir. Darei resposta a essas abordagens.
SPEAKER_02És um devorador de clássicos e tens uma paixão enorme pela literatura do século XIX. Sei que lês muito e tens uma fome insaciável. Já falámos também sobre quando é que começou essa paixão pela literatura, os primeiros passos que deste. A minha pergunta é agora é muito mais básica.
SPEAKER_04O que é que estás a ler agora? Olha, estou a ler um livro que se chama Zuca, da Fernanda Amand, uma escritora e estava aqui em cima da mesa. Fernanda Amand, psicoterapeuta também. Queres que vai buscar?
SPEAKER_05Não é necessário.
SPEAKER_04Ela estava cá em Portugal a viver, mas agora foi para o Brasil novamente e é uma história muito interessante. Ela fala de uma família, mas com a personagem principal de uma mulher que é uma burguesa, filha de famílias abastadas no Brasil e o Barito também, formação superior, é advogado, ele é engenheiro com um filho. São pessoas xenófobas, abertamente xenófobas, com um passado até violento nesse aspecto, mas com a saída do Bolsonaro do poder andresso de Lula, a presidencia decidem que no conseguem aguentar mais aquele Brazil andam para Portugal. Querem vir para a Europa e Portugal é a porta entrada, probablemente através da Link, it's fácil. The violence brasile living do Rio de Janeiro. Chegados a Portugal, is vítima, mantendo the hábitos novos and racistas that have and commentary. Number-se como a amiga brasileira da Alta Society who vive em Cascais who é afiliada do Chega, afiliada do Chega, and de repente ela é vítima de xenofobia, mas de uma forma muito violenta e em vários quadrantes da sua vida. Na tentativa de encontrar um emprego, no filho na creche, e portanto vai tendo todas essas dificuldades de. Depois o fantasma da família vai sempre assombrar. A Fernanda Man foi a minha apresentação na FNAC do Chiado. Ela estava interessada, viu o livro andou-se pela temática, depois leu, anda ali a apresentar the living two or three days ago and fui. Ela tem another sobre o Diário do Rio de Janeiro, with a violence or a misture. This liver who seemed Zuka, edited by Uru Tal, who is a editora Brasileira who edited in Portugal.
SPEAKER_05And it is a romance that's a very important thing.
SPEAKER_04Consegues less than um? No. E porquê? Não consigo. Não sei se tem explicação para isso. Já tentaste? Já até tentei fazer algo diferente que era romance e ensaio ou livro mais técnico ou político? Não resulta. Eu quero estar e depois fico de alguma maneira ansioso porque não vou a mãe, não te vão ter. Não sei lidar com isso.
SPEAKER_05Isto é ridículo, são problemas de alto.
SPEAKER_02Eu já te coloquei esta questão de outra maneira, não é? Até que ponto é que consegues ver um film num dia, ver uma série no outro.
SPEAKER_04Nós não colocamos isso.
SPEAKER_02Já me falaste também da questão do, por exemplo, nos clássicos tem que haver uma dedicação plena.
SPEAKER_04Principalmente aí. Eu não consigo parar. Não sei qual dos dois é. Há um que tem dezenas de personagens relevantes. Relevantes. Eu acho que é o Garripaz. Acho que havia uma. Acho que havia há estratégias como perceber de onde é que vem esta. Porque são muitos e depois cada um deles tem o Tolstoy vai escrever nomes deles de formas diferentes, pelo menos três formas diferentes. Só de pensarmos nesta organização, na forma como é construída. Isso é uma loucura. Há gente que faz uma espécie de árvore sineológica para se conseguir orientar a história. Porque estava a dizer, depois cada nome pode ser escrito de três maneiras diferentes diferentes. Mais a dificuldade. Isso por vezes nos abstraímos, aconteceu também comigo e com o Ripaz, foi mais um livro que eu acho que estás também, né? Com muita insistência tua, por favor, não faças e acabei por fazer. Sim, isto é um livro muito bonito. Mas porque lá está, interrompi esta leitura com outras duas leituras e portanto. Isso é um erro fatal, meu amigo. Estou a comprometer os clássicos que não permitem a entrada em interjeição de outros, percebes? Não pode entrar ali ninguém. Não pode ser. Tem que ser uma dicação plena. Gostas de sublinhar livros, fazer apontamentos, ou para ti um livro tem que ser de alguém maculado, não pode estar sujeito a este tipo de intempérico. Eu já fui mais fundamentalista nesse eu li há pouco tempo um livro que foste tu que me recomendaste, o Aleste do Paraíso e outro, o Retrato de Dorianbeck e o Retrato de Dorian Gray também. Também já li esse livro e tenho este livro bastante sublinhado também. Pronto, porque são livros que têm tanta coisa. Tem tanta coisa. Cá há tantas que dizes que isto não pode passar ao lado. Não pode passar ao lado. E eu não fui nos livros. Trato de Dorian Grey de Osfare Wilde. Sim, e são dois livros que eu tive que apontar muita coisa em telemóvel. Pelo menos o telemóvel fica ali, fica na cloud, às vezes vou lá refusar.
SPEAKER_02E também tenho a certeza que são livros dos quais gostamos tanto que certamente não saem da nossa estante, nem às vezes por empréstimo. Às vezes prefiro comprar um novo numa livraria e ouvir ser o meu amigo que eu quero tanto ler do que propriamente estar a levar o livro que eu tenho tanto estima.
SPEAKER_04Eu recentemente comprei o Leste do Paraíso a um amigo nosso. O Luco, exatamente.
SPEAKER_00A edição é que é Livros do Brasil ou é da.
SPEAKER_04Eu acho que é o Livros do Brasil.
SPEAKER_00Eu gosto muito da oferecer literatura.
SPEAKER_04E disse-se à Sofia também para ler. Tu também deves ser daquelas pessoas que só recomendas quando sabes que é um livro que é obrigatório. E faz sentido para determinadas pessoas. Também. Eu gosto para isso, faz sentido para as pessoas aqui que eu estou a dizer. Eu já percebi, por exemplo, eu tenho uma paixão muito grande, tenho aliás uma relação de amor-ódio com o Aruki Morakami, mas sei que, por exemplo, não é universo onde tu gostes de mergulhar. Cave Caberamar, sim, mas e eu gostei, eu gostei bastante do Moracami e quero lá voltar.
SPEAKER_05Isto é que sim, estavas a dizer a estrada está com muito trânsito.
SPEAKER_04Falamos também do há pouco tempo do Milano Kundera, que também é um escritor fabuloso, com insustentável ver do ser um livro fabuloso. O Mino Mim dele também. Estás a ver num sítio que também sei que leste em Cabo Verde o Velho Mar e a Perla, dois livros também. Incríveis. Perla também do Steinbeck, o velho mar de Hemingway. Lim Cabo Verde, todos esses. Houves música enquanto escreves ou preferes o silêncio no teu processo de escrita? Silêncio, silêncio total. Silêncio total, nada.
SPEAKER_01Não posso ter nenhum tipo de distração.
SPEAKER_04No Sé Offensa eu utilizei o Palácio das Galveias. Mas o tipo de obra que é permitiu que eu conseguisse colocar-me mesmo as ideias do sítio e escrever. Escrevi parte do Céu Offensa do Palácio das Galveias, mas uma biblioteca tem sempre um silêncio. Mesmo que estejas com muita gente, há uma cultura de silêncio nas bibliotecas, continues a ser too. Recolhi me in vario sí. Inace recolhi-me no Mindelo, recolhi-me in the casa da minha irmã em Embrantes. Recolhi em Merlin, comecei uma semana e comecei a escrever desisti do Biblio e passei metade da semana sem escrever mais nada porque não gostava do Food. Mas quando foste para Merlum era o objetivo, era mesmo recolher para escrever. Era, era. Eu fui para Merlum para escrever. Fui preto. Lá para quarta-feira eu cheguei lá no domingo. Quarta-feira não estava a gostar daquilo que estava a sair. Não estava. Definitivamente não estava a gostar. E tinha levado um livro. Mesmo perfeitamente qual foi o livro que levei e que é muito grande, mas que como estava irritado com o que estava a escrever, deixei de lado e fiquei lá até domingo. Era domingo a domingo. A ler quem?
SPEAKER_05Ana Caranina.
SPEAKER_04E ali a meio do livro do Tolcei e ao meio do livro. E de quarta a domingo li o todo. Porque estava em Mértila a ler o Ana Caranina. E foi uma experiência na mesma gratificante.
SPEAKER_05Fótimo, foi ótimo. Eu depois já contei isto. Depois voltei ao Fio Preto.
SPEAKER_04Às vezes até é bom pararmos no processo. Quando estamos numa espécie de interrupção.
SPEAKER_05Eu estava a escrever, voltei ao livro, fui ler e gostei.
SPEAKER_04E aí está o livro. E está cá. Isto está aí, exatamente. Três livros que recomendes. Não vou tentar não repetir, não é? Porque foi aqui do Aleste Paraíso que recomendei à Sofia Ayuso e ao U. Três livros que eu recomendo. Olha, eu recomendo o Cu os Judas. Ok. Do Lobantunes. Cus Judas é.
SPEAKER_02Que impacto é que essa obra teve quando leste?
SPEAKER_04É muito grande também. Guerra colonial é pouco falado. Pouco abordado na nossa sociedade e quando é abordado sempre de forma. Já não se estão a ouvir. É um momento fundamental da nossa existência enquanto democracia, enquanto país. As pessoas que lá estiveram nessa guerra estão a aparecer, porque a idade estão neste momento com 80 e picos, 78. Experiências traumáticas andas é o trazer essa experiência traumática, ou aquela dimensão psicomógica que o Lomento trazia à sua escrita.
SPEAKER_02Foi uma inesperado ou foi alguma coisa que tivesse, já estavas preparado?
SPEAKER_04Eu já sabia que era sobre a Guerra Colonial. E esperaste o momento certo para ler a obra.
SPEAKER_05Sim, quando li o Cus Judas estava duperadíssimo para ele. Sabendo que a escrita do Loman Tunes também é desafiante.
SPEAKER_04É desafiante, sim. Mas é encaixei bem e é um grande livro. Cu os Judas, recomendo o Cus Judas, para quem ainda não ler, obviamente. Recomendo, vou só para autores portizes, desta vez. Recomendo o Evangelho segundo Jesus Cristo, dos Sérama. Porque é trazer a religião para a terra. Mandaste uma mensagem no outro dia sobre isso. É, porque acabei o KI, o KI é um pouco o remate do Evangelho. O Evangelho é traz tudo aquilo que fomos ensinados enquanto sociedade cristã, católica. Mas é imposta também, não é? Sim, sim, é imposta e muitas vezes é auto-imposta também. Às tantas nemos ido lá, não é? A culpa, a culpa associada ao universo católico e cristão, o pecado, o bem, o mal, questão moral. A religião é o veículo morte, todas essas questões.
SPEAKER_05E o ceramão que traz isto torna isto tudo este edifício, não é?
SPEAKER_04Faz com que ele pareça desfere o vídeo e que se desmorule.
SPEAKER_05E é por isso que é que eu estou a polémica e existe a eficácia quando façam menos ele conseguiu desmontar.
SPEAKER_04Sim, sim, sim, e há um debate livíssimo, cómico quase até dele desistir com um padre na Sique que a sou eu já nem sei se partilhámos esse vídeo um pouco. Eu não sei, mas ele desmistifica ou desmonta tudo, não? Desmonta tudo, mas desmonta não do ponto de vista de uma opinião vasejada, mas através das escrituras da Bíblia.
SPEAKER_05E sempre num patamar de, como é que eu ia dizer, sempre de respeito também, mas ele está, ele vai parafraseando, ele vai lendo, ele vai relatando aquilo que está na Bíblia. Ele não vai buscar nada aqui.
SPEAKER_04Ele não inventa, pronto.
SPEAKER_05E a terceira recomendação é o Misericórdia da Lydia Jorge, que é para mim a melhor escritora.
SPEAKER_04Tenho lá na minha estante, também já me falava, já me falaste sobre ele várias vezes. Uma melhor escritora portuguesa que eu mais gosto, neste momento.
SPEAKER_01Uma densidade também tremenda, com um pensamento bastante equilibrado, o que rareia nos nossos tempos, uma escrita para além de boa. Para além de boa, e do que eu já assisti, do que eu já ouvi.
SPEAKER_04Ontem estive com ela na feira do livro e ouvi-a conversar um pouco sobre a literatura, não numa conversa formal, mas parece-me Alívia Jões um ser humano incrível. Do melhor que há artisticamente, obviamente, nesses ponto, nesses termos, que há neste país. É um livro sobre a mãe da Lívia Junes no large-se no dar-se. É um livro sobre amor. É verdade. É um livro sobre amor. E recomendo esse. Também de um lugar de dor, de amor de um lugar de dor. Recomendo esse livro vivamente.
SPEAKER_02Pensei, pensei, falaste no standback que não faz parte do universo dos três que escolheste de autores portugueses, mas ainda pensei que foste tocar no S de Cairo. Three discos que recomendes. Coisas que andes a escutar or who fazem parte da tua banda sonora, the banda sonora da tua vida.
SPEAKER_04O que hoje eu ouço dificilmente não tem que ver com os artistas oricam in si isted, mais efêmero, mais descartável. Apesar de ouvir musica criada agora, hoje já, mas tenho muchas em. Ainda aproximar. Não, não, não é recomendá-lo. Approximate with facility. Mas recomendá-la. I'm at this and recommend the Grace do Jeff Buckley. Jeff Buckley é um grande disco. Recomendo esse. É simplesmente incrível, fabuloso. Há muito tempo nesse disco. Também tem um disco ao vivo, não é? E depois são artistas que nos deixam um legado artístico muito forte, com muito peso, e que morrem muito novos que acabam. Mas isto em particular parece que deixou quase fazer, embora. Pelo menos da minha perceção, embora tenha deixado aqui esta altura, pelo menos para mim, uma obra prima. Led Zeppelin 2 e Dark Side of the Mundo do Spink Flight. Não, Animals do Spink Flight. O Animals tem ali uma ligação, acho eu, muito grande ao universo literário. A Jorge Orwell, não falámos dele nesta longa conversa em nível da literatura. O Animals faz-me lembrar, eu não sei se eles ou se eles pensaram, porque o livro não, o álbum. Às vezes pode ter uma ligação. Tem um carismo muito político, bastante político mesmo. Tal como tal como a Quinta dos Animais.
SPEAKER_00Mas estamos a senhora mais do 1984 ou o mesmo.
SPEAKER_04Não, a Quita dos Animais.
SPEAKER_00E o primeiro livro que liderou para a América o nome era o Triunfo dos Porcos.
SPEAKER_04Se eles mudaram, pronto, a Quita dos Animais ou o Triunfo dos Porcos e o Animals Pinfloyd. Eu acho que há uma ligação, para nós nunca vi procurar essa possível ligação, mas são ambos peças políticas, que abordam ou que contestam o totalitarismo, portanto, eu não sei se a quinta dos animais é obviamente escrita ou criada antes. Não sei se o Roger Watras e o Ilman e o Richard Wright e o Patrista Belar não me lembro, não sei se eles se inspiraram na obra, mas é bem possível que eles também, eles Ping Floyd têm um bocadinho político muito vinho.
SPEAKER_02Havíamos de melhor hoje nisso e havíamos de ter uma nosarmos novamente aqui fora dos microfones, mas também exatamente.
SPEAKER_04Eu acho que existe. Ou pelo menos eu gostava que existisse. Se calhar às vezes há um desejo, qual é essa ligação entre o Orwell e o Spink Floyd?
SPEAKER_02Mas para falar sobre isso é porque certamente há alguma coisa.
SPEAKER_00Até poderás estar a confundir com um outro disco ou com outra banda, mas certamente haverá uma ligação entre, se calhar, uma obra do Orwell com um disco do Spink Floyd.
SPEAKER_04Sucintamente, porque sei que isto era quase tratados filosóficos, mas de forma sucinta, o que é que te deixa triste nos dias de hoje? O ódio. O ódio, a indiferença e às vezes uma sinto também que há uma falta de capacidade de perdoar relacionado com a falta de empatia, ou estás a falar mesmo do perdão em si no sentido de podermos discordando, concordar e ao mesmo tempo aproximarmos? Achas que esta polarização que estes tempos mais cinzentos nos trazem com aquilo que vemos e vamos acompanhando, já é tanta coisa que eu já não consigo falar sobre essa dimension, que já é uma dimensionada. Achas que neste momento há uma necessidade desta approximation, mas estamos a afastar mais orgamos mais contra the nosso semelhante? Achas que caminhamos para a society leva aí. And we're a cancer. If we form a corrent, entregar a desistence is. Por isso é que isto te deixa triste, não é? Não tenho respostas para isso. O que vejo é essa. Eu a ti não te vejo como um distento nunca. Por isso é que te vejo que procuras na escrita exorcizar toda essa. E talvez também continue por aí, mas também sai bem que isso não irá resolver rigorosamente nada. E o que é que te faz feliz neste momento da tua vida? O que me faz feliz são coisas simples. Olha, é de repente ter até aqui saúde. À exceção do joelho. À exceção do joelho que não me permitiu ter uma carreira fulgrante do futebol. Como tu sabes e viste testemunhas. Poderia ter sido uma bela carreira. Poderia ter sido uma bela carreira. Que foi estragada muito cedo. E isto, se me convidares outra vez para falar neste podcast, falaremos só sobre isso. Eu tenho muito mais para falar sobre a minha carreira futbolística que não existiu, e por isso é que há muito para falar. Exatamente. Porque só tu sabes os segredos. Só eu, só eu. E as dificuldades porque passaste. E onde é que íamos mesmo? Estava-te a perguntar o que é que deixa feliz neste momento da tua vida. Olha, ter saúde, estar rodeado de uma família maravilhosa que é minha, que está lá sempre. Que te abraça, que te apoia e seu velho também. Exatamente. E estar rodeado também de estudantes amigos que me apoiam, que me dão a mão. São exatos que vê de longe, não é? Dos tempos do secundário, se calhar algumas antes do secundário até. E depois a faculdade também se. Algumas algumas que surgiram com seis anos. Ah, sim, sim, exatamente. Outras que surgem no secundário, outras que surgem na faculdade. E todos esses momentos eu fui colhendo gente que me salva, que me abraça, que me ama, que me ajuda a ser melhor pessoa, sabendo que tenho. Tens os meus defeitos, como tudo que nós temos. Cometo erros, mas no final do dia saber que essa gente está ao meu lado e portanto isso deixa-me feliz. Escrever, deixa-te feliz? Estou a inquietar.
SPEAKER_02Dilemas, isto para finalizarmos, Angelo, antes de te agradecer por esta bela conversa e por todas as bellas conversas que vamos tendo ao longo da nossa vida. Dilemas que não são dilemas morais, mas que não sei se são fáceis. E digo nesta phase da tua vida. Dostoevsky ou Tolstoy? Dostoyevsky.
SPEAKER_04Saramago ou essa de Caros? Olha, voltou a ligação. Acho que há ali uma ligação forte. Forte com o Saramago. Então política e humana até. Mexe muito.
SPEAKER_02Eu aqui tenho a certeza que tu vais responder, mas prosa ou poesia?
SPEAKER_04Prosa, mas. Este, mas não é do género, mas é equilibrado. Não, prosa totalmente só. Mas eu tenho. Este é um dos meus desafios futuros. Mergulhar na poesia. Eu já tenho lido alguma. Alguma aqui da Flor Bela Speck, que é logo que também é uma violência tremenda. But tenho que mergulhar mais. The livers of poesia that I live are Ana Paula Tavares. Prémio e Kamai. Livro physical or e-book or liver digital. Eu gosto muito de cheirar livres.
SPEAKER_00This is parece que há aquele pudor de falarmos sobre essa question of termos a livro na mão e cheirarmos o livro.
SPEAKER_04Tem que cheirar, é deve cheirar. É o único, não é? Acho que deve-se fazer figura de parfos, por favor. Eu acho que fazemos todos. Devemos fazer. De vez em quando passamos assim 4 ou 5 vezes. Eu nunca por acaso nunca apanhei ninguém a cheirar. Mas talvez vão me apanhar. Eu vou dizer que não há problema.
SPEAKER_00Está tudo bem. Deixa-me cheirar também este livro já agora. Para ver que eu consigo adivinhar qual é a edição. Então pelo pessoal é a editora. E a edição?
SPEAKER_04Muito bom. Foi da presença, foda-se da água. Porque os cascos da relógio de água têm um cheiro mais intenso que os da presença. Eu sei-se porque sinto muito. Eu tenho muitos livros de Dostoevsky, de Tolsta e do Gogol. Sim, da Religio de Água e da e de outra. É porque é do Pescada e é porque é do Filipe Guerra e Nina Guerra. Exatamente, as melhores traduções, as melhores traduções. E eu cheiro os livros da relógio de água com muito prazer. Aquilo papo de bejeiro incrível. É único. É incrível.
SPEAKER_00Os livros também são a companhia, estou fora do dilema, mas sentes quando estás junto à tua estante ou com o livro, sentes-te acompanhar.
SPEAKER_04Sou super, sim, gosto muito de olhar para ela.
SPEAKER_00Às vezes basta só olhar para nos sentirmos preenchidos, não é?
SPEAKER_04É incrível para essa criança. Gosto muito maior e ver lombados e ver as lombadas com cores e pegar um livro e voltar a colocar o estante, saber se vou ler ou não. Aliás, isso é um momento de muita alegria para mim. Quando eu vou à estante a procuro um livro. És tu que procuras o livro ou é o livro que te procura e escolhe a ti? Eu acho que sou o que procuro. Muito simples. Eu é que ando aqui a olhar. Mas depois há moments in que há livros que fazem mais sentido que outros. Mas às vezes estou muito fisgado por um autor or an autora. Já te vais preparando mentalmente, não é? Este é o meu próximo. Estou a fechar um livro. Mas às vezes também te prega uma rasteira, porque se tu és um livro novo na livraria e vais ter aqui buscar o que queres ler o imediato. É por isso que eu este ano na feira do livro só comprei um livro. E qual foi? Só comprei um livro e já o tinha ido, que é o estrangeiro, há bocado que chegaste, mas queria ter esta edição aqui. Do Camus, não é? Do Camus. Do Camus. Led Zeppelin ou Pink Floyd. Fomos da literatura. Led Zeppelin ou Pink Floyd. Isto é os dilemas.
SPEAKER_05Aqui é que é muito edifício.
SPEAKER_04Eu tinha aqui escrito outra coisa, mas depois agora já apanhou. Tinha escrito Beatles e certamente escolhias Led Zeppelin. Pronto. Mas agora compliquei. Complicaste, mas vou para o Led Zeppelin. Ok. Então de brincadeira cerveja ao vinho. Vinho. E viajar ou escrever. Mas olha, eu vou-te dizer porque. Epá, não sei. Se fosse viajar ou ler, era ler. Ok.
SPEAKER_00Entre viajar e ler seria ler.
SPEAKER_04Porque também é uma autêntica viagem, não é? Uma forma de viajar, sim. Entre escrever e viajar.
SPEAKER_00Porque o viajar é mais lazer e o escrever é mais de um processo de.
SPEAKER_04Escrever está há sempre, normalmente está associado a uma tarefa. Mesmo que seja escrever Fui Preto ou seu ofensa ou os outros. Ou os livros que já tens na gaveta que queres dar a expressão, né? São esses, exatamente. Há sempre uma componente ligada a uma certa obrigação. Há um certo foco, né? Sim, a viagem ao contrário. A viagem liberta-te. Sim, pelo menos as viagens que eu tenho tido não são viagens de trabalho, de vou para o hotel, depois tenho que ir à conferência. Já fiz isso. Mesmo viagens de aventuras, aquelas que correm menos bem, não deixam de ser uma viagem para quando chegamos, depois de ter passado.
SPEAKER_00Isto é história e a gente tem que fazer uma história para contar. É isso que todos nós procuramos, menos quando estamos a viver o momento. Se calhar é um mau momento, mas depois já temos uma boa história para contar.
SPEAKER_04Ângelo, não tenho palavras para te agradecer este momento. Espero que tenhas gostado de estar aqui no Farol do Capitão.
SPEAKER_02Espero continuar a acompanhar-te em todo o teu processo criativo, nas tuas aventuras literárias, acompanhar a tua vida como um amigo, um irmão, assim que posso considerar, e agradecer-te do fundo do meu coração ter estado comigo nesta conversa. Espero que tenha sido uma conversa bonita, uma conversa para afastarmos os dias cinzentos.
SPEAKER_04Sim, foi. Gostei muito. Foi longa e boa. Gostei mesmo muito de conversar. E agora é ouvir as tuas próximas conversas.
SPEAKER_00É isso. Vou estar atento. Vamos a isso.
SPEAKER_04Um abraço, meu amigo, e obrigado por estares aqui. Obrigado até já.
SPEAKER_02E assim é. Chegám ao fim de mais uma conversa aqui no Farol do Capitão Solidão. Uma conversa com o meu convidado e amigo Ângelo Delgado. Espero que tenha sido bonita e interessante. Espero também um dia voltar a receber o Ângelo aqui no Farol, quando o seu novo romance estiver concluído. Agradecer-vos também por terem ficado até ao fim e até breve. Até breve. Sereias e Marujos. E lá vai ele. É verdade. Meu grande amigo Angelo Delgado foi uma conversa fabulosa. A saudade vai apertar. Tenho a certeza disso. Concordo, capitão. Mas para meu consolo, tenho aqui os seus dois livros. Já li de voltar a ler vezes e vezes em conta. Sério, capitão. Também tens os livros do Angelo. Claro que tenho. Ainda por cima, os dois são primeira edição e autografados. Posso dizer, capitão, que tens um grande tesouro. Angelo! Volta em breve, meu amigo. It's possible on novo e grande romance. Isso é que é falar.
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